domingo, 21 de janeiro de 2018

Transe (Transe) 2006

"A história de Sónia, uma mulher de 20 e poucos anos que abandona o namorado e a família, em São Petersburgo, na Rússia, e decide partir sem olhar para trás para tentar encontrar uma vida melhor noutro país. Sónia vai conhecer a ilusão de uma vida nova e o inferno daqueles a quem a vida parece nada ter para dar. Fazendo a sua "via sacra" Europa fora, atravessando todo o continente, primeiro pela Alemanha, depois Itália, para acabar no extremo oposto, em Portugal, ela vai conhecer toda a miséria e degradação que o tráfico e a exploração dos mais fracos provoca. 
Um filme sobre a exploração e o tráfico de mulheres que a realizadora Teresa Villaverde ("Os Mutantes") explica a partir das palavras de Santa Teresa de Ávila: "O inferno é um cão a ladrar lá fora". "Estamos no início do século XXI e o cão ladra em toda a parte. Não nos livrámos da tortura, da escravatura, do genocídio. A personagem central deste filme vê esse inferno de frente e de muito perto. Penso que não chega a entrar, porque é preciso fazer parte do inferno para estar lá dentro. Ela não faz parte, mas não há saída. Jorge Semprún escreveu a propósito da sua experiência num campo nazi que um dos motores da sobrevivência é a curiosidade. Se não quisermos olhar, as chamas agigantam-se.": Publico.pt

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sábado, 20 de janeiro de 2018

A Festa da Menina Morta (A Festa da Menina Morta) 2008

Há 20 anos uma pequena população ribeirinha do alto Amazonas comemora a Festa da Menina Morta. O evento celebra o milagre realizado por Santinho, que depois do suicídio da mãe recebeu nas suas mãos, da boca de um cachorro, os trapos do vestido de uma menina desaparecida. A menina nunca encontrada, mas o tecido rasgado e manchado de sangue passa a ser adorado e considerado sagrado. A festa cresceu indiferente à dor do irmão da menina morta, Tadeu. A cada ano as pessoas visitam o local para rezar, pedir e aguardar as "revelações" da menina, que através de Santinho se manifestam no ápice da cerimonia.
"A Festa da Menina Morta parece trazer uma vontade bastante pessoal de Matheus Nachtergaele em levar para o cinema algo que lhe é de caríssimo interesse. Ele fala sempre sobre a importância daquela cultura ribeirinha do rio Amazonas, tão desconhecida para nós. Mas, finda a projeção, surgem perguntas. O que Matheus queria precisamente falar: de um modo de vida ou do misticismo? E como ele se posiciona sobre a dinâmica desse grupo social que é reproduzido, em princípio, de uma matriz real? São perguntas sem respostas afiadas, lançadas ao vento, que têm seu retorno garantido para colocarem em xeque certos procedimentos adotados pelo diretor, que acabam por culminar sobre um dilema terrível ao filme: onde se coloca o ponto-de-vista do narrador-cineasta.
Nachtergaele parte de um evento real para assim compor os traços ficcionais que se voltam ao ponto de partida: uma procissão-festa que celebra o milagre brotado da morte de uma menina, num verdadeiro culto-relicário de suas roupinhas rasgadas entre músicas, comilanças e bebedeiras festeiras, que o ator conheceu quando atuava em O Auto da Compadecida (o que deixa claro, mais uma vez, as intenções nobres de alguém que cruzou semestres com projeto firme na cabeça). Na verdade, o filme parte desse extrato real para sobrevoar em círculos o personagem de Santinho (Daniel de Oliveira), que ganhou o status que seu nome indica há 20 anos, quando recebeu de um cão os trapos da menina no mesmo instante em que sua mãe se suicidava. Virou milagreiro, mas o que o filme nos mostra é que aqui está um violento sujeito, vulcanizado a explosões de humor, pequenas violências domésticas (como tabefes no cocuruto das empregadas). É um líder sob crise titã, carregando o peso da coroa e arruinado nos seus ânimos. "
Podem ler mais, aqui.  

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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Eu, Tu e Todos os que Conhecemos (Me and You and Everyone We Know) 2005

Uma cidade qualquer nos EUA. Los Angeles, talvez. Uma crónica sobre pessoas vulgares que se tornam pessoas extraordinárias, num mundo em que o mundano pode ser transcendente. Christine Jesperson é uma artista solitária e condutora de um táxi para idosos. Richard é um vendedor de sapatos recém-divorciado, pai de dois filhos, e que anseia porque lhe aconteçam coisas extraordinárias. Mas quando conhece a frágil e cativante Christine entra em pânico. Destemida, mas também intensamente frágil, Christine só quer ser amada e Richard, algo excêntrico e decididamente perdido, parece-lhe irresistível. 
"Me and You and Everyone We Know," vencedor de prémios em Cannes e em Sundance, é o primeiro filme de Miranda July, e a sua abordagem de olhos abertos e questionáveis pode parecer quase ingénua. Mas esta inocência, que tanto nos pode atrair como provocar o sentimento contrário, é mais um efeito calculado do que uma simples expressão de uma sensibilidade caprichosa.
Antes de entrar para o mundo dos filmes, July era uma artista conceptual (trabalhava em vídeo e outros meios de comunicação), uma procura que exigia uma autoconfiança mais profunda, bem como uma vontade de olhar até para os objectos e eventos mais triviais como material potencial para a estética da transformação. Embora o filme tenha uma clara linha narrativa, e possa até ser classificado como uma comédia romântica, é também um artefacto visual meticulosamente construído, apresentando de uma forma divertida as qualidades a arte de instalação às convenções do cinema narrativo. 

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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Natureza Morta (Sanxia Haoren) 2006

A velha cidade de Fengjie já está submersa, mas o seu novo bairro ainda não foi terminado. Há coisas a salvar e há coisas a deixar para trás... Han Saming, um mineiro, viaja para Fengjie para tentar encontrar a ex-mulher que não vê há 16 anos. Quando se encontram, nas margens do rio Yangtze, decidem voltar a casar-se. Também Shen Hong, uma enfermeira, viaja para Fengjie à procura do marido que não vê há dois anos. Abraçam-se em frente à barragem das Três Gargantas, mas apesar da dança, decidem separar-se.
Jia Zhang-Ke, é um dos realizadores mais proeminentes da chamada sexta geração do cinema chinês, e também um dos melhores realizadores do mundo neste século 21, dirige aqui brilhantemente um filme que combina documentário e fantasia, pintando uma imagem evocativa da China moderna, livre da propaganda tradicional chinesa, e independente do governo para mostrar que há um surto de alienação no país. Esta atitude política subversiva, levou a que o filme fosse banido no seu próprio país, mas bastante mostrado na Europa e nos Estados Unidos.
As duas histórias em cima sobre dificuldades pessoais e casamentos em ruptura dão ao realizador uma hipótese de observar o que se passa no coração da China industrial, e como a globalização e a renovação urbana vieram para a China, de modo que os telemóveis e outros bens ocidentais são apenas parte do quotidiano chinês, como também são do quotidiano de Los Angeles. Esta imagem do país demonstra que os problemas universais do progresso causam o deslocamento e deixam aqueles que não estão em posição de se ajustarem marginalizados da sociedade, e que a nova forma de capitalismo é tão dura como o sistema comunista. 
Ganhou o Leão de Ouro do festival de Veneza, em 2006. 

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domingo, 14 de janeiro de 2018

Onde Jaz o teu Sorriso? (Où gît votre sourire enfoui?) 2001

Quase vinte anos depois de Harun Farocki prestar uma homenagem à profunda influência do cinema de Straub/Huillet, ao filmar o processo exaustivo da preparação do filme "Class Relations" para o documentário "Jean-Marie Straub and Danièle Huillet at Work…", Pedro Costa captura o seu processo igualmente exigente da montagem da longa-metragem "Sicilia!" em "Onde Jaz o Teu Sorrisso?". Na verdade, tal como o filme de Farocki captura intrinsecamente a metodologia de trabalho dos cineastas através dos seus temas recorrentes de automação e sistematização de processos, também o filme de Costa ilustra a particularidade da sua metodologia através da sua própria preocupação caracteristica, para capturar o alegórico no quotidiano. 
À medida que os cineastas alternadamente contam histórias e anedotas pessoais, tanto sobre o seu matrimónio como sobre o seu cinema colaborativo, o que emerge no retrato reverente e discreto de Costa é uma imagem carinhosa, humorística da relação entre os dois, a todos os níveis. Uma história de amor moderna que funde a paixão com a política, a criatividade com a convicção, contada a partir da intimidade privilegiada de dois românticos irascíveis e duradouros casais intelectuais, activistas sociais, cinéfilos obsessivos, idealistas sem idade, e artistas inovadores.
Este documentário serve também de antecipação para um dos grandes ciclos deste verão, dedicado a esta dupla de realizadores. Será lá mais para o Verão, e terá textos do nosso habitual colaborardor, Jorge Saraiva.

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sábado, 13 de janeiro de 2018

Santiago (Santiago) 2007

"“Santiago” (2007), documentário dirigido por João Moreira Salles, é um exercício de problematização de gênero. O diretor começou a filmá-lo em 1992, ao perceber a singularidade da personagem que intitula a obra, Santiago Badariotti Merlo, mordomo da casa em que Salles passou a infância, solitário, e com o encantador hábito de redigir textos a respeito da história da nobreza de povos do mundo todo. O documentarista abandona o projeto iniciado na década de 90 (único filme de sua carreira que não conseguira realizar) e retoma o material (30 mil páginas e 9 horas de cenas registradas) apenas 13 anos depois. Neste ponto, resolve traçar um exercício reflexivo a respeito daquilo que havia filmado, organizando, assim, uma impressionante discussão em torno dos limites entre a documentação e a ficção, cujo eixo é não mais exclusivamente a vida de Santiago, mas também a memória do diretor e suas decisões narrativas. 
As primeiras cenas de “Santiago” optam pelo close in (procedimento muito raro no filme) em direção a uma série de fotografias, enquanto o narrador explica: “Há treze anos, quando fiz estas imagens, pensava que o filme começaria assim: Primeiro uma música dolente. Não essa que eu só conheci mais tarde, mas algo parecido; depois um movimento lento em direção a três fotografias.” Neste momento, se estabelecem, portanto, dois níveis narrativos. O primeiro refere-se à esfera metaficcional, no qual o artista lança comentários a respeito da própria obra. O segundo, por sua vez, se ocupa da história de Santiago e sua relação com a família de Salles. Logo, o narrador estabelece uma tênue ligação com o personagem que dá título ao filme, já que o antigo mordomo o ensinava a equilibrar copos com a bandeja na mão, enquanto o pequeno patrão “brincava de servir” com os irmãos, distinção servo/proprietário que guiará as principais escolhas da obra. Deve ficar claro, entretanto, que ambos os planos da história dividem-se também em duas dimensões: a do passado e a do presente, duas temporalidades que, uma vez documentadas, se complementam na trama. 
O documentário, termo utilizado na França dos anos vinte e, provavelmente, estabelecido definitivamente por John Grierson nesta mesma década, é um gênero tradicionalmente marcado por seu caráter não ficcional. Contudo, já as primeiras definições do termo o diferenciavam dos chamados “cinejornais”, visto que o documentário executaria o “tratamento criativo” da matéria tratada, sendo, portanto, mais do que reprodução mecânica da realidade. Este ideal está impresso nas cenas iniciais de Santiago, já que a câmera permite que percebamos algo para além das imagens fixas do passado, representadas pelas fotografias que inauguram a história. Logo, João Moreira Salles define aquele que deveria ser efetivamente o primeiro plano do filme. Ouvimos a voz de Santiago, a tela está escura, revelando à assistente de filmagem, Márcia, que gostaria de começar a filmagem com um pequeno depoimento preparado com todo o carinho, ao que a responsável negaceia. Jamais saberemos o que Santiago gostaria de ter expressado e esta inacessibilidade é uma constante em todo o filme. Em seguida, vemos a claquete mediando nossa percepção na primeira vez na qual, finalmente, vemos o ex-mordomo, em uma cena repleta de signos e, mais ainda, de significados."
Podem ler o resto do texto, aqui

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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Um Homem que Grita (Un Homme qui Crie) 2010

Adam (Youssouf Djaoro) tem 60 anos de idade, é ex-campeão de natação, e há 30 anos que trabalha como guardião da piscina de um hotel de luxo situado no Chade, em África. No entanto, investidores compram o edifício e ele vê-se obrigado a ceder a sua vaga para o filho Abdel (Diouc Koma), situação que o incomoda bastante por ver nela um declínio social. Além de estar diante deste conflito pessoal, o país passa por uma guerra civil, com rebeldes ameaçando o governo. Neste contexto, Adam precisa de ajudar o governo com dinheiro ou enviando o seu filho para que lute pelo país.
Quarta longa-metragem do realizador chadiano Mahamat-Saleh Haroun, é um drama poderoso e sensível que retrata um tipo de traição pessoal e familiar, assim como o sofrimento que pode resultar de uma situação económica desesperada. O filme cobre muitos tipos de terreno, mas debruça-se mais sobre os temas emocionais.
Para o realizador/argumentista Haroun, a narrativa segue o ponto de vista de Adam, mesmo que as suas acções - como traír o filho - afastem as audiências. Tudo isto, e uma grande interpretação de Youssouf Djaoro, trazem para o filme uma complexidade fora do vulgar, onde qualquer noção de moral é duvidosa, e a sensação de "certo" e "errado" é contrariada pelo trabalho sob o domínio do capitalismo.
Selecionado para vários festivais, acabou por vencer o Grande Prémio do Juri, em Cannes, em 2010.

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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Os Amantes Regulares (Les Amants Réguliers) 2005

François tem 20 anos em Maio de 1968, tempo de revoltas estudantis em França. Há cargas policiais sobre as barricadas construídas pelos jovens. É aí que pela primeira vez se cruza com a bela Lilie. Perseguidos nos telhados, conseguem escapar da polícia de choque. De manhã, sente que viveu uma guerra civil e Lilie desapareceu. François escreve, é um poeta não publicado, com os seus amigos, artistas e estudantes. São uma dezena, têm entre 20 e 25 anos: fumar haxixe, a descoberta do ópio, mudar a vida, as festas, as miúdas... Lilie reaparece uma noite. O desejo de revolução é forte. Mais forte ainda o amor que vai nascer entre os dois.
Filmado num lustroso preto e branco, "Os Amantes Regulares" é uma meditação melancólica, tanto sobre os eventos de Maio de 1968 em Paris, como o caso de um amor condenado. Com a realização do pai, Philippe Garrel, e o próprio filho Louis no papel principal, o jovem poeta e aluno protestante  François, que se apaixona pela bela e esculturar Lilie, durante o rescaldo da revolução.
É um filme dividido em duas partes, com a primeira hora a focar-se na "Noite das Barricadas". Louis e os seus amigos lançam cocktails molotov em colunas da policia anti-motim, numa sequência prolongada cheia de toques expressionistas. As sequencias de gás lacrimogéneo em todo o lado, as sequências de sonho imaginando revoltas ao longo da história, e as prespectivas restrictas de câmera dão a estes confrontos uma qualidade fantasmagórica.  
O resto do filme concentra-se na relação entre François e Lilie. O casal retira-se da sociedade dominante e circula por um círculo de amigos artistas, e fumadores de droga. Esta parte do filme é, sem dúvida, uma homenagem à Nouvelle Vague francesa, onde jovens actores vagueiam pelas ruas parisienses desertas, as conversas são apanhadas em fragmentos, e os actores abordam directamente a câmara. É um filme bastante exigente, onde a sua tristeza e desilusão têm um poder hipnótico.

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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Eu Sou um Cyborg, E Daí? (Ssa-i-bo-geu-ji-man-gwen-chan-a) 2006

Cha Young-goon (Lim Su-Jeong) é hospitalizada numa clínica psiquiátrica, por acreditar que é uma ciborg. Ela recusa toda a comida que lhe oferecem, preferindo carregar as "baterias" através de um transistor. Cha usa a dentadura da avó e fala com todos os aparelhos eletrónicos. Mas o seu caso não é o único: está rodeada de pacientes que têm interlocutores imaginários. Quando o belo e anti-social Park Il-Soon (Rain) é internado, tudo muda para ela. Não demora muito tempo até que eles se envolvem, mas a saúde jovem piora cada vez mais.
Depois de três filmes que o revelaram em questões tão obscuras como o roubo de órgãos, o incesto e o rapto de crianças, sempre envolvidos pelo tema-chave da vingança, para o seu projecto seguinte, Park Chan-wook escolheu um tema muito mais leve, ao qual deu o fantástico título de "I’m A Cyborg, But That’s OK". Um filme que poderia ser descrito como uma comédia romântica excêntrica, mas o realizador sul Apesar da sua premissa estranha, a verdadeira força do filme reside na abordagem totalmente não convencional ao tema da doença mental, que geralmente é retratada através de um realismo sombrio, ou de um drama optimista. Em vez de se concentrar na natureza restritiva e deprimente da deficiência mental, Park convida-nos a experimentar a vida através da mentalidade dos seus personagens, tornando as suas actividades e empreendimentos bizarros não só emocionantes, mas também estranhamente tocantes. 
A fotografia de Jeong Jeong-hun é deslumbrante. Tendo trabalhado com Park desde "Old Boy", ele cria uma vez mais visuais deslumbrantes.

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domingo, 7 de janeiro de 2018

A Zona (A Zona) 2008

Todas as personagens de "A Zona" têm que lidar com a perda de um ente querido. Um homem observa o corpo do pai deitado numa cama de hospital, que apenas se mexe graças à maquina de respiração artificial que o mantém vivo. Numa ambulância, uma mulher grávida, tomada pelo pânico, agarra-se ao marido, enquanto os médicos tentam ressuscitá-lo. Num apartamento, o homem tenta familiarizar-se com o espaço desabitado onde o pai costumava viver. O cão ainda lá está, mas a sua presença não atenua de forma alguma o vazio que dali emana. No campo, vive um casal à espera de bébé. Uma noite, o marido sai e não regressa.
Estes homens e mulheres parecem anestesiados pela sua dor. São sobreviventes que caminham hesitantes em espaços quase sem vida, em busca de um lugar para descansar.
""A Zona" é um filme que se concentra em gestos banais das personagens em circunstâncias extraordinárias. Por isso mesmo, é normal a câmara concentrar-se  nos rostos, tanto no de Rui (em mais uma actuação muito low profile, quase sorumbática, do actor António Pedroso), como no de Leonor. Todas as personagens parecem viver da solidão, sem espaço social válido (aliás, os espaços sociais - como o hospital e a festa - são locais onde as personagens estão fora do seu contexto natural).
Também a representação da cidade é interessante em A Zona: há uma opção pelo uso de locais anódinos, comuns, como as autoestradas ou os blocos habitacionais. Movemo‑nos, portanto, numa cidade periférica, e daí, também, a presença intensiva da floresta como um espaço de transição. Para além disso, o hospital surge como o espaço central, possivelmente a zona de transição entre a vida e a morte: “A zona do título português refere‑se ao espaço emocional do hospital, onde muita da ação tem lugar, mas pode igualmente referir‑se a um espaço lynchiano e liminar entre a vida e a morte, onde a narrativa familiar e a lógica temporal se encontram suspensas” (Corless, 2008). o hospital é mostrado como espaço límpido e higiénico, sem marcas: por um lado, representando o fim, mas também supondo o início" - Daniel Ribas.

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sábado, 6 de janeiro de 2018

Inocência (Innocence) 2004

O filme passa-se num mundo imaginário, onde jovens raparigas são educadas separadas da família e o ensino baseia-se na dança, na educação física e na biologia. Depois de conhecer a sua nova escola, isolada no meio de uma floresta, a menina Iris, de seis anos, logo percebe a regra primordial a ser seguida: a obediência. Mas quando descobre que uma das alunas mais velhas deixa a escola todas as noites para uma reunião secreta, ela arrisca o seu futuro para tentar desvendar o mistério.
Um mundo hermeticamente fechado, uma narrativa mistificadora cheia de imagens assustadoramente bonitas, uma sensação indefinível de ameaça e uma banda sonora dominada por registos de velhos discos gramofónicos, e os rumores sinistros e ameaçadores de máquinas invisíveis podem servir como uma descrição de "Eraserhead" (1977), de David Lynch, mas também podem definir este inquietante "Innocence", filme de estreia da realizadora Lucile Hadzihalilovic. Vagamente adaptado de um livro de Frank Wedekind, lançado em 1888 chamado "Mine-Haha: The Corporal Education Of Young Girls" o filme é uma fantasia escura e onírica, passada num internato muito peculiar.
Nunca explicando completamente os estranhos acontecimentos Hadzihalilovich gera uma tensão desconfortável, semelhante à natureza expectante e incipiente dos seus jovens personagens que são incapazes, quer para reverter a metamorfose que está a ocorrer dentro deles, quer para compreender para onde esta os está a levar. 
Há influências cinematográficas claramente visíveis, sendo a mais óbvia "Picnic at Hanging Rock" de Peter Weir, também passada numa escola de meninas, e numa atmosfera forte que nos deixa sem explicações. A realizadora também cita Robert Bresson e "Suspiria" de Dário Argento, e também se nota influências dos irmãos Quay logo no início.

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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Perdidos Pelo Século 21

Continuo com o mesmo problema do disco rígido, mas em breve penso arranjar uma solução. Enquanto isso não acontece, resolvi alterar a ordem dos ciclos. O ciclo do Fantasporto irá passar para Fevereiro (a partir de dia 15, decorrendo ao mesmo tempo que a edição do festival deste ano), e até lá iremos ter um outro ciclo chamado "Perdidos pelo Século 21".
Perdidos pelo Século 21 é um ciclo que consiste em visitar alguns filmes que, de um modo ou de outro, ficaram um pouco esquecidos, ou ignorados durante este século. Serão filmes dos quatro cantos do mundo, é o que posso dizer, e dos mais variados estilos e influências. Fiquem atentos, o primeiro é já a partir de sábado.


sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Pausa

Aconteceu-me uma pequena desgraça com um dos meus discos rígidos. Desapareceram-me uma série de ficheiros, não todo, entre os quais os filmes que estavam programados para este ciclo. O espaço dos ficheiros está ocupado no disco, mas eles não aparecem lá. Ando a tentar resolver isto, mas se alguém tiver alguma pista, mande um mail para myonethousandmovies@gmail.com.

Entretanto, vou ter que fazer uma pausa até ao inicio do ano que vem. Um Feliz Natal e um Bom Ano de 2018 para todos.


segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Fantasporto 1982

Em 2018 vamos prestar uma série de homenagens ao Fantasporto, e provavelmente também a outros festivais, mas, numa série de ciclos, iremos aqui recordar várias edições deste festival, cada ciclo respeitante a um ano, com os filmes dessa edição a passarem aqui no blog. Ao fim de 37 anos este festival continua a ser um dos festivais de cinema fantástico mais importantes da Europa.
O Fantasporto - Festival Internacional de Cinema do Porto teve início em 1981, com uma edição experimental, mas foi em 1982 teve uma edição mais séria, com uma secção competitiva. Neste primeiro ano fizeram parte da selecção oficial 19 filmes, originários de países como Checoslováquia, Jugoslávia, Espanha, França, RFA, Estados Unidos, Polónia, entre outros. Destes 19 filmes, 14 irão passar neste ciclo do My Two Thousand Movies, ficando de fora apenas 5 por serem muito raros e serem impossíveis de se encontrar na internet.
Para tornar este "festival online" ainda mais realista, teremos um Júri que irá avaliar os filmes 37 anos depois. Será que o vencedor sería o mesmo? Vocês próprios podem ser júris, entrando no Grupo do Facebook do M2TM. 
Mais para a frente, em 2018, irão ser recordadas outras edições do festival, em cada ciclo respectivo. Por agora, preparem-se para a primeira edição do Fantasporto Online. Até já.

domingo, 17 de dezembro de 2017

Criadores de Stop-Motion: Jirí Barta

Jirí Barta é um realizador de stop-motion checo. Os seus filmes, muitos dos quais usaram madeira para fazer animação, obtiveram aclamação da crítica e ganharam muitos prémios, mas depois da queda do governo comunismo na Checoslováquia ele não conseguiu completar nenhum filme no espaço de 15 anos (uma situação parecida com o que viveu na Rússia Yuriy Norshteyn). Ao longo dos anos 90 tentou arranjar fundos para um filme chamado the Golem (que pode ser visto online), mas até agora só conseguiu completar um curto piloto em 1993.
Hoje vamos conhecer alguns dos seus trabalhos mais famosos.

O Flautista (Krysar) 1986
 O realizador Jiri Barta criou dezesseis bonecos com cascas de nozes e cento e setenta cenários em estilo gótico para recontar essa lenda do norte da Alemanha: a história de um flautista que consegue livrar uma rica cidade de seus indesejáveis ratos. Mas, quando os Conselheiros se recusam a pagar a quantia combinada, ele toca a sua flauta e atrai todos os cidadãos para fora da cidade. "Krisar" ganhou, em 1987, os prêmios dos festivais de Chicago, Espinho e Bilba, e concorreu no Fantasporto de 1987.
É uma média metragem, e não tem diálogos.
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The Last Theft  (Poslední Lup) 1987
Uma história sarcástica sobre um ladrão que se torna vítima das suas próprias vítimas. As suas vítimas veem do outro mundo, e levam-lhe o seu bem mais precioso, o sangue. A atmosfera fantasmagórica do filme é conseguida é conseguida através de animação artificial de colorização no filme. O estilo de Barta permanece sempre vanguardista, sem diálogo, sem qualquer localização geográfica, e uma história que testa a nossa capacidade de atenção.
Curta metragem que ganhou dois prémios importantes, nos festivais de Krakow e Valladolid.
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The Club of the Laid Off (Klub Odlozenych) 1989
Velhos manequins passam o resto das suas vidas quebrados e rachados num armazém velho e abandonado.  Novos manequins são trazidos para o armazém. Também estão velhos, mas são de uma geração mais nova. Os dois grupos têm de conviver um com o outro, o que não será fácil.
Uma grande curta, reminiscente de Svankmajer, com grande animação e uma óptima atmosfera decrepitada muito requintada. Um choque entre o passado e o presente, e a inevitável permutação dos dois.

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Toys in the Attic (Na pude aneb Kdo má dneska narozeniny?) 2009
Num sótão cheio de lixo uma bonita boneca chamada Buttercup, vive num velho baú com os seus amigos: uma marioneta chamada Sir Handsome, o adorável Teddy Bear, um rato mecânico, e uma criatura de plasticina chamada Laurent. Quando Buttercup é raptada e levada para a "Terra do Mal" os seus amigos começam uma aventura para a resgatar.
Quando vemos esta obra-prima em stop-motion de Jirí Barta percebemos que não há uma quantidade de dinheiro que possa substituir o talento de um visionário com uma história inteligente, uma equipa dedicada, e um sótão cheiro de poeira e lixo.
É uma longa-metragem e tem legendas em inglês.
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sábado, 16 de dezembro de 2017

Um dia de Verão Soalheiro (Gu ling jie shao nian sha ren shi jian) 1991

"Épico em extensão mas não tanto em dimensão, este retrato subtil e rico de Taiwan assinado por Yang encaixa tantos pormenores na sua aparentemente breve duração de quatro horas que admira que o filme tenha saído tão curto. Passado em Taipei no princípio da década de sessenta, durante um único ano lectivo, "Um dia de Verão Soalheiro" mostra um país que ainda estava de ressaca por causa do influxo de nacionalistas chineses (liderados pelo repressivo Chiang Kai-shek). A Taiwan de Yang está dividida entre comunismo e democracia, nacionalismo e liberdade, com confusão, alienação e incerteza, conduzindo a uma desorganização por vezes debilitante. 
Por mais rigoroso que seja este filme, Yang infunde-o com toques de humor e humanismo que compensam a atmosfera angustiante de tragédia iminente. A realização é paciente e serena; o filme é como uma grande sinfonia de dezenas de personagens cujo tom e ritmo são habilmente orquestrados por Yang. Preferindo planos longos, estáticos ou lentos a grandes planos, Yang dá ao elenco grande liberdade para explorar as suas emoções (ou aparente ausência delas), representando para a história e para os outros, não apenas para a câmara; ainda assim, é óbvio que Yang quer que o filme seja tanto sobre lugares e coisas específicos como sobre pessoas. Não admira pois, que o filme revele factos e situações com o cuidado, planeamento e deliberação de um grande romance.
Tampouco surpreende o peso emocional da conclusão trágica do filme, o resultado do rigoroso design narrativo de Yang (por sua vez o resultado de quatro anos de preparação) que consegue entrelaçar a história das gangues de rua de Taipei, amor adolescente, rock and roll, valores culturais perdidos e a busca de uma identidade nacional. Embora frequentemente comparado com o clássico melancólico Fúria de Viver, de Nicholas Ray, "Um dia de Verão Soalheiro" é muito mais do que isso. Uma obra-prima da Nova Vaga de Taiwan, e um ponto alto do cinema do final do século XX, este é um filme cuja percepção de tempo e lugar é magistral, ultrapassando quase o domínio da mera narração. É como um álbum de fotografias multifacetado, composto por fotos verdadeiramente comoventes, que convidam à reflexão."
 Texto de Joshua Klein

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quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

A Cidade da Tristeza (Beiqíng chéngshì) 1989

"Há duas histórias diferentes para relatar. Uma é a maravilhosa história que acontece por vezes, algures, na maior parte dos casos de forma imprevisível: a ascensão de uma Nova Vaga, de um movimento artístico num país, e a emergência de um ou dois (raramente mais) cineastas excepcionalmente talentosos. Acontece isso com o movimento do Novo Cinema, nos anos 80, em Taiwan, e um dos realizadores mais dotados que apareceram na altura foi Hsiao-Hsien Hou. Começou por fazer filmes pessoais, autobiográficos, que revelaram o seu sentido de ritmo, a intensidade física dos seus planos, a força sugestiva, à primeira vista indiferente, como filmava até as mais simples situações. 
Há também uma segunda história, que diz respeito ao momento inevitável em que uma nação precisa do seu cinema para contar a si própria e ao mundo o seu percurso - revelar, por assim dizer, a sua autobiografia colectiva. Em 1989, o desaparecimento da ditadura militar que governou a ilha durante 40 anos, deu aos cineastas uma oportunidade para contar a história recente de Taiwan.  E é isto que Hou, o "autor vanguardista subjectivo", decidiu fazer (e aquilo que continuaria a fazer com o "Hsimeng Jensheng" e "Haonan Haonu"). "Beiqing Chengshi", que foi claramente reconhecido no seu país como um grande passo em frente na capacidade do cinema para olhar, finalmente, para o passado recente de Taiwan, constitui um momento de viragem - um facto que também permitiu que o filme se tornasse num grande sucesso junto do público.
Uma mistura de fresco histórico e filme moderno, a complexa estrutura narrativa de  Beiqing Chengshi (baseada nas vidas intrincadas de quatro irmãos) e a enorme quantidade de informação histórica que inclui transmitem uma sensação emocional e estética do período, os sentimentos individuais e colectivos, as reivindicações das diversas comunidades a que cada irmão pertence, queira ou não queira. Beiqing Chengshi não é só uma obra-prima. É um exemplo para todos os filmes que pretendem mostrar os principais acontecimentos de um país, e acabam, em vez disso, por se tornar quase sempre monumentos enfadonhos."
Texto de Jean-Michael Frodon

Parte 1
Parte 2
Parte 3
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segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Os Terroristas (Kong bu fen zi) 1986

Uma jovem escapa de um cerco da polícia. Sentindo-se oprimida e com a sua vida destruída, começa a irradiar as suas perturbações através de telefonemas anónimos. A partir daí, três histórias paralelas começam a se encaixar. O quebra-cabeças envolve, além da jovem terrorista, uma testemunha que fotografa os acontecimentos e um casal em crise.
Um filme profundo e onírico de histórias paralelas, sombrio, confuso e enigmático, onde tudo é magistralmente combinado. Edward Yang co-escreve o argumento com Hsiao Yehand, e cria uma atmosfera intensa, raramente vista num filme americano, que tem algo desagradável a dizer sobre a vida na grande cidade de Taipei, sobre aprender lições da vida da forma mais difícil, através da amarga experiência, que é possível ser terroristas sem realmente o perceber, e muitas vezes a nossa vida não corre tão bem como na ficção. Tudo termina como uma nota de ambiguidade, deixando-nos a nós descobrir se tudo o que realmente aconteceu era um sonho ou uma ficção. Para Yang pouco importa, para ele os personagens envolvidos perderam o equilíbrio e o seu lugar no mundo. 
O ambiente e a estrutura do filme, na forma como estuda a vida na sociedade, é bastante semelhante a um filme de Antonioni. Mostra um país que perdeu o seu equilíbrio espiritual, e está a sofrer de um enorme crescimento económico.Yang usa a movimentada paisagem urbana de Taipei como o terror eminente que confronta os cidadãos. É um olhar moderno sobre a forma como os habitantes da cidade, de todos os sectores da vida, se enganam em acreditar que o seu crescente conforto material tornou a sua vida muito melhor.  
 "The Terrorizer" é talvez a descrição de Yang mais desenvolvida sobre a modernidade urbana. Recebeu um prémio no Festival de Cinema de Locarno de 1986, e foi considerado o "filme mais original do ano" no festival London Film Festival, em 1987. Dos filmes deste ciclo é talvez o mais modernista, e o mais parecido com os filmes de arte europeus, que sem dúvida o influenciaram. Antonioni, por exemplo, é uma influencia óbvia e admitida pelo realizador. 

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domingo, 10 de dezembro de 2017

Poeira no Vento (Liàn Liàn Fengchén) 1986

Ah-Yuan e A-Yun são ambos da pequena cidade mineira de Jio-fen. Durante o dia Ah-Yuan é um estagiário e de noite vai para a escola, enquanto que A-Yun trabalha como ajudante de um alfaiate. Todos acham que eles foram feitos um para o outro, inclusive eles próprios. Contudo, o que não percebem é que não se pode controlar nem o tempo, nem o destino.
Um trabalho um pouco esquecido na filmografia de Hou Hsiao-Hsien, "Dust in the Wind" é o seu terceiro filme na trilogia sobre a adolescência, da qual fazem também parte "Um Verão com o Avô", e "Tempo Para Viver, Tempo Para Morrer", e é baseado nas memórias de infância do argumentista Wu Nien-Jen. É um filme que se apresenta como um tratado de um sociólogo, e uma meditação sombria da sociedade urbana de Taiwan, incluindo críticas severas ao sistema militar do país. 
O filme deixa mensagens visuais profundamente impressionáveis que ficam na nossa cabeça até bastante tempo depois do visionamento. Há imagens cintilantes de um pedaço de poeira, a soprar no túnel do comboio que eventualmente revela uma luz no final do túnel vindo de um comboio de passageiros que se aproxima, um ritual budista em frente a um oceano, e silhuetas de soldados contra um céu escurecido. 
Um solo de guitarra acompanha ocasionalmente o silêncio, infletindo no filme uma sensação de melancolia, ao mesmo tempo que preserva esses preciosos momentos no tempo.  

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quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

História de Taipei (Qing mei zhu ma) 1985

Lung, um ex-membro da famosa equipa de basebal Little League, trabalha agora como operário numa velha fábrica de tecidos. Apesar do tempo que já passou, ele é incapaz de deixar para trás as memórias das glórias do passado. Um dia, ao reencontrar Ah-chin, um antigo parceiro de equipa que agora é taxista, vai acabar por revirar factos do passado ao falarem sobre a actual mulher de Lung, ex-namorada de infância do amigo. 
No seu segundo filme, Edward Yang escolheu o título em inglês "Taipei Story" para fazer eco na famosa obra prima de Ozu, mas os dois filmes não podiam ser mais diferentes. Enquanto Ozu puxa pelo espectador, convidando-o a simpatizar com os seus personagens, Yang mantém a audiência longe emocionalmente. Tsai Chin e Hou Hsiao-Hsien (o famoso realizador, numa das suas poucas aparições como actor) interpretam Lung e Ah-chin com uma tal reserva num cenário tão austero, que parece que Yang está literalmente a sufocar todo o oxigénio do filme. 
Em "Taipei Story" Yang retrata um mundo muito distante da imagem habitual de Taiwan, caracterizada por um crescimento económico ininterrupto, com harmonia e progresso para qualquer sector da população. As décadas do pós-guerra, particularmente a partir da década de setenta em Taiwan, certamente foram de rápida industrialização, mas tudo isto foi acompanhado por um enorme conflito de classes, e crise. 
Yang, um contemporâneo de Hou, fez apenas sete longas-metragens antes da sua morte por cancro. O trabalho dos dois realizadores foi moldado pelos duros anos da ditadura anticomunista em Taiwan, e de um ponto de vista geralmente oposicionista e dissidente. Alguns criticos sugeriram que "Taipei Story" era uma exposição da classe média taiwanesa, mas Yang responde atribuindo tragédias pessoais às próprias mudanças.

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